quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

1º de Fevereiro de 2012

Hoje de manhã foi curioso. Começou bem, cruzando uma pequena manada de elefantes, depois encontrando a mãe-rinoceronte e seu filhote; vimos uma família de javalis ou wharthogs ( o Pumba do Rei Leão – Hakuna Matata!), uma manada muito bem comportada de impalas (não saíram correndo desesperados ao nos ver), um besouro rola-bosta rolando uma bola de...bom, vocês sabem...rsss. 


Vimos também um veadinho muito raro que não precisa beber água e vive sempre na mesma área, chamado Steenbok. Aí ficou meio parado...os leões, segundo informações do rádio, tinham cruzado para outra reserva com quem a Notten não tem acordo. 
Fomos atravessar um riacho e ficamos atolados...Numa Land Rover! Acha? Eu pensei que esses jipes saíam até do inferno.... Mas não teve jeito, e todo mundo desceu pra empurrar...rolamos de dar risada, mas conseguimos tirar o jipão do leito do córrego. Todo mundo tirou o sapato pra pisar na água, inclusive o Chase, que estava com marcas tão fortes nos pés que parecia que ele nem tinha tirado a meia! Hahahaha...
Todo mundo empurrando a Land Rover...
A equipe de desatoladores vitoriosa! Dois sul-africanos, quatro ingleses e duas brasileiras (eu atrás da câmera..rsss).
Retornando, não vimos absolutamente mais nada. Aí, quase na pousada, o Gideon viu uma área suspeita: os leões tinham matado alguma coisa ali!!! Eles desceram (Chase ainda descalço e sem arma) e levantaram uma traquéia com pulmões pra gente ver.


Um pedaço da traquéia com pedaços de pulmão de um gnu que virou jantar de leão...Parece cruel a princípio, mas é a Lei de Equilíbrio em ação né...E depois também...antes o gnu que eu!!! Hahahaha...
Eles voltaram pro jipe e já íamos saindo de ré quando um som chamou minha atenção e a Cindy viu alguma coisa no meio dos árvores. Os machos ainda estavam ali!!!! Yikes!!!! Demos a volta e entramos no meio do mato com o jipe. Os dois machos do grupo que vimos ontem e mais uma fêmea maravilhosa, que ontem estava separada das outras leoas comendo grama, tinham matado um gnu (a gente nem viu gnu ainda!!!!) e estavam ali, estufados de tanto comer. Isso significa que eles ficaram pra trás e que a maior parte do grupo, que a gente viu passando ontem à noite pela pousada, provavelmente não comeu. Eles disseram que se o grupo todo tivesse comido o gnu, já não teria sobrado nada. E tinha meio gnu ali ainda...
Retornamos, com aquela sensação de sempre, de que nunca sabemos o que vamos encontrar na selva...Já tínhamos dado o drive como encerrado, e acontece isso...
É a vida na selva!!!!

Olha os dentinhos da criança...

Na sombra, guardando o "rango".

O rango...

Fazendo pose...


Notten’s, Sabi Sand Reserve, 31 de Janeiro de 2012.

Terceiro dia de safáriiiiiiiiiiii!!!! Como ontem, acordamos com uma leve batidinha na porta. Levantei rapidinho e pus a Veronica pra fora da cama, e em vinte minutos já estávamos no refeitório tomando café com biscoitos antes do drive da manhã.
O dia amanheceu meio nublado, e logo que saímos com o jipe percebi que ia passar frio...
A gente não andou nem 2 km e topamos com um grupo enorme de leões. Oito leoas, oito filhotes e dois machos adultos. Todos deitados na beira da estrada, na maior preguiça, sem dar a mínima. Os machos na verdade levantaram quando chegamos mas depois ficaram numa boa. Milhões de fotos depois, e depois de muitos ówns e ains dirigidos aos filhotes, seguimos adiante para que outros carros pudessem ver os leões. 


Nem cem metros passaram e vimos alguma coisa vindo pela estrada. Quando o Chase disse “wild dogs” (cães selvagens), quase morri. Eles são uma espécie em perigo de extinção, e eu já tinha descartado por completo a possibilidade de vê-los! E eles estavam indo bem em direção aos leões!!!! E agora???? Os rangers não podem interferir com a vida selvagem, e se eles tivessem seguido por aquele caminho, com certeza ia dar o maior barraco! Felizmente eles saíram da estrada principal e entraram no mato, e seguimos atrás. Eles correram um pouquinho atrás de umas impalas e depois ficaram um tempão em volta dos jipes, abanando o rabo um pro outro e lambendo a boca um do outro (lembrei taaaaaaaanto do Pipoca!!!). Indescritível ver esses animais tão selvagens fazendo coisas que os nossos cães fazem até hoje!!!! O Chase disse que existem menos de 200 cães selvagens na área total do Kruger, e que eles andam em média 50 km por dia, portanto foi muita sorte a gente conseguir vê-los, e mais sorte ainda que eles pararam tanto tempo perto da gente. Que presente maravilhoso no terceiro dia de safári!!!



A Cindy, uma inglesa que estão hospedadas com gente, não estava passando muito bem, e fomos deixá-la na pousada, que por incrível que pareça era na outra esquina da estrada onde estávamos com os cães!
Partimos novamente, dessa vez em busca do rinoceronte, o último dos Big Five que o nosso grupo ainda não tinha visto. Pela primeira vez, tivemos que sair da área de propriedade dos Notten, rumo a área vizinha, que pertence a outra reserva particular chamada Sabi Sabi. Essa reserva é bem maior que Notten’s, mas os dois têm um acordo de cooperação de direito de transgressão, ou seja, tanto os carros da Sabi Sabi podem transitar em propriedade da Notten quanto o contrário. Isso é feito de forma comum entre reservas vizinhas, para aumentar a probabilidade de encontrar animais.
Depois de passar a fronteira entre as duas reservas e andar um pouquinho, nota-se que a paisagem muda bastante. A maior parte da Nottens tem vegetação densa e fechada, enquanto que a Sabi Sabi têm áreas abertas, lembrando muito mais a paisagem queniana que estamos acostumados a associar com a África. A vegetação aqui em volta faz a gente achar que está no meio do cerrado brasileiro. Até, claro, topar com um elefante...rss.
Logo que avistamos a planície aberta, local de preferência dos rinocerontes, já avistamos alguns à distância. Fomos até eles e eram três machos, sendo que o dominante estava dando uma “corrida” nos dois mais jovens, e uma fêmea com o filhote de dois anos. A gente acha que é pequenininho e aí quando eles falam que já tem um, dois anos, é difícil de imaginar quão menor eles devem ser quando nascem...


Paramos ali, naquela planície maravilhosa, para tomar um café com biscoitos (depois, óbvio, de tomar certa distância dos rinocerontes), e depois fizemos meia volta em direção a terras da Notten.
Mais um drive maravilhoso!!!

Drive #3

Gente, pode até parecer que uma vez um drive, sempre um drive. Mas cada um é diferente. A quantidade de estradas que existem pela reserva permite que cada dia a gente siga por um caminho diferente, e nunca sabemos o que vamos encontrar. Hoje à tarde, por exemplo, estávamos na estrada quando os guias ouviram dois pássaros (que ainda vou descobrir o nome, gente, é muito pássaro) fazendo o maior escândalo. Eles suspeitaram de alguma coisa e saíram da estrada em direção à árvore, olharam embaixo e nada. O Chase já estava dando ré quando o Gideon apontou pra cima da árvore: tinha uma cobra venenosa chamada Black Mamba (também vou descobrir como chama isso em português), e provavelmente ela deve ter comido ovos ou filhotes dos dois pássaros e eles estavam fu-ri-o-sos com a cobra. Por conta disso, ficamos por ali um pouco, e eis que de repente ouvimos rugidos!!! O casal de leopardos de ontem à noite estava poucos metros abaixo, acasalando!!!! Valeu cobrinha!!! Hahahaha...
Descemos mais um tanto e eles estavam lá. Incrível como eles não estão nem aí com a paçoca. Acasalaram duas vezes na nossa frente. Vejam o vídeo, por que nem vou tentar descrever. O Chase disse que quando eles estão acasalando os leopardos ficam de 4 a 5 dias juntos, acasalando a cada 20 minutos. E o engraçado é que a fêmea levanta, senta na frente do macho e empurra ele (que está dormindo, lógico..rsss) como quem diz: levanta aí, ô seu imprestável, e faz o seu trabalho! Hahahahaha...muito louco o instinto de reprodução.

Depois fomos atrás do leão que a gente tinha visto de manhã. Eu pensei, imagina, ele deve ter mudado de lugar e sem chance da gente ver ele de novo. Mas não é que o bichano estava no mesmo lugar? Dormindo! Quéisso???? O guia explicou que os leões dormem 18 horas por dia...mas gente, como pode? E a gente entrou no mato, passou em cima de tronco seco, todo mundo falando no jipe, dando risada...Pensa que o leão ligou? Nem abrir os olhos ele abriu. Ele deve pensar: putz, que saaaaaaaaco! Lá vem esse povo tonto de novo...
Ficamos um tempão ali esperando ele acordar, e ele nos concedeu alguns minutos em posição de “esfinge”, antes de capotar de lado novamente. Como a gente preferiu esperar pra ver o que o leão ia fazer em vez de tomar nosso drinque ao pôr-do-sol (os dois britânicos acho que não ficaram muito felizes com isso...rsss), voltamos direto pra pousada.
Quando entramos na pousada, foi a coisa mais mágica. Da estrada já dava pra ver o lugar cheeeeio de tochas e velas. Jantamos no autêntico estilo africano, ao ar livre, que eles chamam de boma. De entrada, um fusilli com um molho de tomate cremoso que eu vou te contar. Depois, frango ao creme, arroz, abobrinha, milho doce (yum, gente adooooro!) e salada, e pra terminar de enfiar o pé na jaca, mousse de morango foférrima!
Dilícia!!!! Mais um dia altamente inesquecível.

Notten’s Bush Lodge, Sabi Sand Reserve, 30 de Janeiro de 2012

Como prometido, às cinco da matina bateram na nossa porta...Pra levantar essa hora e ir pro escritório é uma luta, mas com a perspectiva de novas aventuras e animais que ainda não vimos, pulamos rapidinho da cama.
No refeitório, um cafezinho básico com biscoitos, e logo já montamos no jipe. A primeira coisa que vimos? Impala!!! Eles estão por toda parte, aos bandos.
O Chase e o Gideon acharam os rastros do casal de leopardos que vimos ontem à noite e começamos a segui-los. No caminho, cruzamos com um carro de uma pousada vizinha, e o rapaz disse que tinha um “macho” não-sei-aonde e que se fossemos rápido conseguiríamos vê-lo. Todos achamos que era um leopardo.
Chegando ao local que o cara indicou, um LEÃO!!!! Um macho, jovem, solitário. Ele andou um tantinho, depois deitou, e dormiu feito um bebê a 3 metros do jipe, sem dar a mínima pra gente. Fizemos um moooonte de fotos, e seguimos adiante para dar espaço pra outros jipes de outras pousadas.
Na sequência, uma girafa, búfalos, mais impala, um elefante jovem, e retornamos pro café. Eu e a Veronica fomos as únicas cadidatas ao bush walk das dez e meia. Eu super-empolgada e a Veronica na maior neura. Isso de uma pessoa que mergulhou com tubarões no Tahiti. Vai entender. O Chase e seu fiel rifle nos acompanharam, claro...Antes de sair, algumas instruções sobre o que fazer se toparmos com um dos Big Five. Eu levantei a mãozinha: Mas tem chance de isso acontecer? Rsss...estou começando a entender a neura da Veronica...Na verdade, a chance de encontrarmos qualquer um dos animais perigosos é muito menor num bush walk que nos drives, porque a gente fica bem perto da pousada e não entra no mato, ficamos só nas estradas. Mesmo assim....a chance existe. Por isso o rifle...
Bom, fizemos a nossa caminhada, que foi bastante interessante devido às informações e histórias que o Chase nos contou, e aos ossos que vimos de vários animais, que eles guardam num determinado ponto da área de caminhada especialmente para explicar pra gente algumas coisas interessantes sobre os diferentes animais. Por exemplo, os dentes dos elefantes vão se movendo de trás pra frente, e à medida que chegam na frente, caem...quando eles ficam velhos, esse processo cessa, eles não tem mais como mastigar e morrem de inanição...triste né? Mas é a vida na selva...
Retornando da caminhada, com o sol a pino, colocamos o biquíni e fomos para a piscina paradisíaca da pousada. Que vidinha mais ou menos...Hahahahaha...Morram de invejaaaa!!!!
Depois, um banho bom, chá da tarde com rolinhos primavera de carne moída com curry (delicioso!!!), queijos e frios, pulei o doce só pra fingir que minha dieta está firme (que nem um prego na areia) e saímos para o nosso afternoon drive. Esse já vai ser nosso terceiro drive! 

Primeiro Dia na Reserva!!!


Johannesburg, 29 de Janeiro de 2012
Acordei antes do despertador, que a gente tinha colocado pras 6 e 15. Nosso plano original era sair às 5 da manhã, mas a Maryna, dona do Guest House, nos convenceu de que a viagem a Kruger levaria menos de 6 horas (segundo ela são 4) e nos permitimos sair mais tarde, aproveitando pra tomar café.
Ela nos fez um mapinha de como pegar a estrada, e com exceção de um leve errinho, conseguimos pegar a N12, rodovia que leva a Nelspruit, que é a cidade-porta-de-entrada para Kruger.
A viagem foi tranqüila, paramos duas vezes e não nos perdemos. Levamos, no fim, as seis horas mesmo...Acho que a Maryna deve ser meio pé-de-chumbo, ou senão a gente foi mais devagar em função de não conhecer o caminho e as leis do país...
A última parte das instruções para chegar à pousada Notten’s dizia para procurar pela placa da pousada na estrada, e virar na estrada de terra após a placa. Achamos a placa, paramos pra tirar aquela foto básica e pegamos a estrada de terra.
Logo já vimos a cerca limitadora da área da reserva, e alguns metros à frente....UM ELEFANTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Não quis acreditar. Mal saímos da rodovia e já vimos um elefante, lindo, selvagem, e bem ali!!!!!!!!!!! A poucos metros de distância!!!! Gente, que emoção indescritível!!!
Bom, por mais maravilhadas que a gente estivesse, seguimos adiante, porque a gente não tnha certeza que horas saía o safári da tarde, e não queríamos perder.
Entramos na reserva e andamos mais 10 km para chegar à pousada.
Fomos recebidos pela Solani, parte da staff do Notten’s. Ela nos mostrou a pousada, nos explicou algumas regras básicas.tenho certeza que foram muitas, mas depois que ela falou que NÃO era pra andar pela pousada à noite e esqueci o resto todo...rsss.  É que a pousada não tem cercas e qualquer animal noturno (os noturnos são os predadores) pode chegar aqui. Durante o dia, sem problemas, ela emendou rapidinho, ao ver nossa cara de “que medo”...
O safári da tarde ia sair às 4 horas, logo após o lanche da tarde (que eles chamam de “high tea”) e fomos até o carro para descarregar a bagagem.
Quando a gente chegou no nosso chalé...A Solani virou as costas e eu e a Veronica nos olhamos, tipo “que lugar maravilhoooosooooo!!!”, mas mantivemos a pose de “a gente já ficou em lugares melhores”. Foi ela sair do chalé pra gente começar a fazer uma happy dance...rsss.
O lugar é o máximo, e as fotos do site mal fazem justiça ao aconchego, o charme e o bom gosto da decoração.
Ajeitamos mais ou menos as coisas e fomos até a área de refeições para o chá. Só tinha a gente na pousada!!!! Mais quatro hóspedes iam chegar mais tarde. Comemos queijos, um pão caseiro delicioso de nozes diversas, quiche, salada e presunto Parma, acompanhados de iced tea.
Às quatro e meia, nosso Land Rover chegou com os guias, um sul-africano branco chamado Chase e um negro chamado Gideon, que é o tracker, ou rastreador. Ele vai numa cadeirinha montada no capô do jipe, pra visualizar melhor os animais e apontar a direção a seguir para o guia.
Eles chamas essas saídas de jipe de drives, e tem um de manhã (morning drive) e um à tarde (afternoon drive), todos os dias. A rotina é a seguinte: alguém bate na nossa porta às 5 da matina, e a gente segue pro refeitório para um café com biscoitos. Aí o jipe sai às 5 e meia e começamos a procurar animais. Tem uma parada no caminho, onde a gente desce do jipe e toma mais um café com biscoitos, e voltamos pra pousada às 9 hs para o café da manhã. Aí quem quiser pode sair para uma caminhada na selva, ou bush walk, às 10 e 30. Essas caminhadas duram entre uma hora e uma hora e meia. Depois disso, temos tempo livre até às 3 e meia, hora do chá da tarde, e às 16 e 30 sai o afternoon drive, que dura até as 7 e meia, 8 horas. Durante esse drive, paramos para um drinque ao pôr-do-sol (que coisa chique, gente, tomar uma taça de vinho no meio da reserva assistindo ao pôr-do-sol...ninguém vai me aguentar depois dessa viagem...rsss), que eles chamam de sundowner. E depois escurece e a busca é pelos animais noturnos, como o leopardo. E ao retornar, alguém nos acompanha até nosso chalé (não pode andar pela pousada à noite, lembra?) e nos dá uma lanterna poderosa. Aí temos alguns minutos para nos "refrescar" e seguir até o refeitório com a lanterna poderosa para o jantar...